A Duquesa (Atenção: contém pequenos spoilers)

Juro que nunca consegui entender porque as roupas das mulheres têm que ser tão complicadas.
É só nossa maneira de nos expressar, creio. Os homens têm tantas maneiras de se expressar, enquanto nós, mulheres, temos que nos satisfazer com nossos chapéus e nossos vestidos.


Assisti ontem A Duquesa com Keira Knightley e Ralph Fiennes. É a história real de Georgiana Spencer (1757 - 1806), casada em seu aniversário de 17 anos com William Cavendish, 5o. Duque de Devonshire. Ela era uma pessoa extrovertida, liberal, opinativa e apaixonada, numa época em que as mulheres nao tinham direito a opiniao e só eram valorizadas por sua capacidade de procriacao. O próprio duque só dirigia a palavra à Georgiana para passar instrucoes e, ocasionalmente, insultá-la por sua aparente incapacidade de gerar filhos (do sexo masculino).
De qualquer forma, Georgiana se tornou muito famosa e admirada por todos. Uma das personagens do filme diz: "o duque de Devonshire deve ser o único homem em toda a Inglaterra que nao está apaixonado por sua mulher". Como uma verdadeira celebridade, seu estilo de roupas era observado e copiado pelas mulheres da época, seus discursos eram comentados, ela era alvo de fofoca e especulacoes pelo povo e pela mídia e ela usava a atencao que trazia para influenciar a populacao com campanhas políticas (lembrando que, naquela época, as mulheres sequer podiam votar).
Cheguei a uma conclusao brilhante, na minha humilde opiniao, após ver esse filme: o feminismo pode ter ajudado em uma coisinha ou outra, mas nunca vou perdoá-lo por nos privar de usar esses vestidos super legaiiis, ao possibilitar outras formas de expressao para as mulheres. Usar roupas práticas para trabalhar? Pfft! >.< É culpa do feminismo e da Coco Chanel. Revolta! Quero usar roupas do século XVIII!






P.s. Além de ser famosa pela beleza, estilo, engajamento político, paixao por jogos de azar e um casamento infeliz, a Georgiana é tatata...ravó da Lady Di. O que nao teve relevância nenhuma na vida dela, já que a Diana só nasceu 155 anos depois de sua morte.

Sara Teasdale, a poetisa deslumbrada

Sara Teasdale (1884-1933) escreveu alguns dos meus poemas favoritos de todos os tempos. É uma pena que só consegui encontrar poucos sites em língua portuguesa que a mencionassem, mas, por outro lado, entendo. Não dá para traduzir poemas sem perder grande parte da beleza deles.

Enfim, adoro os poemas da Teasdale por vários motivos.

Um deles é que a temática da maior parte de seus poemas são temas que adoro: beleza, maravilhamento, alegrias, romances, beijos, amores devastadores, natureza, inocência...

A triste verdade, no entando, é ela era uma reclusa depressiva com problemas sérios de saúde que se casou sem amor, divorciou-se e acabou por se matar.

Mas dá para entender. Dizem que ninguém aprecia tanto a água quanto os que têm sede, entao talvez isso explique porque justo ela exalta tanto a felicidade, o amor, os prazeres e os deslumbres da vida. Porque foi privada de quase todos eles.

Claro, Sara Teasdale escrevia também sobre tristeza e morte, mas vejo uma certa tendência otimista em quase tudo que escreveu.

Um dos meus poemas favoritos dela chama-se Barter, uma exaltação da vida. Abaixo segue o poema no original e depois minha tradução. Espero que entendam inglês, porque a tradução amadora vai ficar terrível.


Life has loveliness to sell,
All beautiful and splendid things;
Blue waves whitened on a cliff,
Soaring fire that sways and sings,
And children's faces looking up,
Holding wonder like a cup.


Life has loveliness to sell;
Music like a curve of gold,
Scent of pine trees in the rain,
Eyes that love you, arms that hold,
And, for the Spirit's still delight,
Holy thoughts that star the night.


Give all you have for loveliness;
Buy it, and never count the cost!
For one white, singing hour of peace
Count many a year of strife well lost;
And for a breath of ecstasy,
Give all you have been, or could be.

A vida tem encantos a vender
Todos, coisas belas e esplêndidas;
Ondas azuis esbranquiçadas em um penhasco,
Fogo crescente que dança e canta
E rostos de crianças olhando para cima,
Segurando maravilha como um cálice.

A vida tem encantos a vender
Música como um arco de ouro
O aroma de pinheiros na chuva,
Olhos que te amam, braços que seguram,
E, para o prazer silencioso do Espírito,
Pensamentos santos que estrelam a noite.

Dá tudo que tens pelo encanto
Compra-o e nunca considera o custo!
Por uma hora melodiosa e branca de paz
Consideram muitos um ano de conflito bem gasto;
E por um fôlego de êxtase
Dá tudo o que tens sido e poderias ser.

Vampiros em Orgulho e Preconceito

Uma idéia absurdamente idiota ou totalmente genial. Uma editora resolveu lancar Orgulho e Preconceito como uma história de terror.

É, o que você leu. Nessa versao, os moradores de Meryton estao sendo transformardos em zumbis e, enquanto a Elizabeth trama para fugir disso, ela conhece o belissimo e orgulhoso vampiro Mr. Darcy.
A próxima versao, programada para lancar em setembro, é Razao e Sensibilidade e Monstros Marinhos. Pobre Jane Austen.

Mal consigo imaginar os absurdos e idiotices contidos nesses livros. Aliás, estou muito curiosa e gostaria muito de lê-los só para testemunhar em primeira mao as atrocidades que fizeram com as personagens que tanto amo. Nao devo ser a única. Segundo uma das notícias, já foram impressas cerca de 750.000 cópias do primeiro livro.

Certo. Concluído: uma idéia genial.
Notícia no Globo
Notícia na Veja

Top 10: Músicas para acordar, agitar, eletrificar etc.

"Receba cada manhã com um sorriso! Olhe para o novo dia como mais um presente especial de seu Criador, outra oportunidade de ouro de completar o que você nao pôde concluir ontem!" -- Og Mandino, guru de vendas e autor de mais um bestseller de auto-ajuda inútil
Citações como essa me irritam. A última coisa que quero fazer quando tenho que acordar é sorrir (quem já me viu acordar, sabe disso). Gosto da noite, adoro a madrugada, nao sei quem inventou esse negócio de manhã. Se até mesmo um resmungo for arrancado de mim antes do meio-dia é que esse é um dia muito especial... ou resolvi seguir meu truque especial.

Sim, há um truque especial! Tive que desenvolvê-lo quando estudava à noite e tinha que acordar todo dias às 5 da manha para ir para o estágio e fingir que adorava ler e recortar jornais a manha toda.

Basicamente, eu acordava sem destruir meu despertador no processo (isso é importante! Anote!). Aí, eu tomava um litro de chá de guaraná e um litro de chá verde (meu caso era desesperador, dois litros de café também serve).

Por último, mas mais importante, eu pegava o fone de ouvido do meu irmao (maninho, se você tá lendo isso, sorry! =X) e colocava no máximo alguma música bem pick-me-up. Após um certo tempo comecei a perceber o que realmente funcionava comigo e o que nao funcionava de jeito nenhum.


Dica importante: você tem que ouvir em pé, no volume máximo, dancando e tentando cantar junto!

Obs.: A maioria delas só tinha no Youtube como fan video, quase nenhum oficial. Blá!

10. Girlfriend - Avril Lavigne
Tá, a letra nao é das melhores, mas é só nao levar muito a sério e pular no ritmo! (As outras vao melhorar, prometo...)

9. All For You - Jonah33
Essa aqui era boa para comecar a sessao "despertar", porque comeca lenta e melhora x)

8. Catchafire (Whoopsi-Daisy) - Toby Mac
Na verdade, todas as músicas do Toby Mac servem, mas essa era a minha selecionada. Favoritas: What's Goin' Down, Get This Party Started e Extreme Days. Whoopsi-daisy, come, we gonna catch that FIIIIRE!

7. Shut Up & Drive - Rihanna
...Dúvida que me ocorreu agora: será que a Rihanna faria sucesso se ela fosse gorda? x)

6. Open Toes - Katharine McPhee
Nada como uma música super profunda sobre... sandalhas. A cantora foi vice do Ídolos americano (mas, merecia ter ganhado. Verdade o.o)

5. The Sweet Escape - Gwen Stefani (Konvict Remix)
No dia a dia gosto mais da versao normal da Sweet Escape, mas para acordar essa era ótima. Só seguir os Uu-huus!

4. Take It All - Hillsong United
Essa música é para se gritar como um lema, uma promessa e uma paixao. Ou simplesmente curtir porque dá vontade de pular x)

3. Jump Around - PlanetShakers

2. Rawkfist - Thousand Foot Krutch
Throw up your Rawkfist if you're feelin' it when I drop this! Preciso dizer mais? x)

1. No Sleep 2nite - Molly McQueen
Descobri essa música no CD da trilha sonora de Quatro Amigas e um Jeans. Virou minha top música de acordar imediatamente. Muito divertida ^^

Diga-me que roupas usas e te direi quem és...

"É melhor ser bonito que bom, mas é melhor ser bom do que feio" -- Oscar Wilde


Há anos, venho tendo conflitos comigo mesma a respeito da importância da aparência em detrimento da essência ou como parte da essência ou definicao dela.

A moral da história, de A Bela e a Fera a Shrek, é que aparências nao significam nada.

A mensagem é meio contraditória, no entanto, porque até mesmo a Fera virou príncipe no final (e só assim a Bela o beijou, notou?) e mesmo os ogros teoricamente "grotescos" de Shrek sao figurinhas simpáticas, meros Hello Kittys pós esteróides.
Já o Lord Farquaad nunca teria seu próprio desenho. Baixinho demais. Narigudo demais. Angular demais.

Muito da nossa cultura é definida pelo cinema, o que explicaria um pouco a busca da definicao através de roupas. Quando li Orgulho e Preconceito pela primeira vez, nunca imaginei que o Mr. Darcy fosse o mocinho da história. Excesso de beleza em livros (ignore Crepúsculo), ao invés de vantagem, é motivo de desconfianca. (Provavelmente porque a maioria dos escritores sao feios. Nao ouviu isso de mim).

Que falhas de caráter se escondem por trás desta bela façade? Ah, hah! Bem como imaginei... "Mr. Darcy mostrou-se um homem orgulhoso e pedante, longe de se mostrar divertido"... Li e já detestei esse homem Darcy. Já imaginei que nao era tao bonito assim. Opa, novamente o preconceito. E novamente errada.

Já viu o filme Orgulho e Preconceito? Desafio qualquer mortal a nao sacar na primeira aparicao de Darcy que ele é o mocinho incompreendido da história. Um vilao teria um nariz maior, umas sobrancelhas mais arqueadas, um andar mais pomposo, um olhar mais dissimulado, roupas mais chamativas ou menos adequadas. Seria como o Mr. Wickham, uma coisa um tanto sem sal com um biquinho afetado. Como, afinal, nao julgar ao mundo e a nós mesmos pelo que se reflete no espelho? Veja a si mesmo na TV (ou no Youtube) e saberá quem é. Eu, por exemplo, sou a coisa um tanto sem sal com biquinho afetado. E a única forma de mudar quem sou é uma transformacao... no shopping.

Um makeover!

Provavelmente aquela maquiagem deixará meus olhos maiores, aquele blush me dará um ar saudável. Mas, é ar saudável que quero ter? E se eu deixar transparecer meu lado mártir e sofredor, ar pálido semi-gótico mas nao ao ponto de chamar a atencao? Algo leve ou algo sexy? Quero ser a heroína nao-compreendida (o que é muito cool!) ou a heroína alto-astral com lábios coral e grandes olhos?

Como saberemos quem eu sou se eu nao gastar mais do que o meu salário mensal naquela saia que é totalmente eu?!


Eu vejo a hipocrisia e a ironia em tudo isso, mas ao mesmo tempo que escrevo, estou frustrada porque nao tenho condicoes financeiras de comprar um outfit schoolgirl chic da Juicy Couture. Tanto faz também, porque nao tenho nem idade nem o tipo para usar uma roupa assim, mas, quem sabe, se eu o usasse, eu me tornaria o tipo.
Talvez se eu me tornasse tao magra quanto a Keira Knightley, eu seria clássica. Talvez conseguisse um contrato com a Chanel.
Talvez se eu usasse Chanel e fosse magra como a Keira, eu seria vista da forma como eu gostaria que eu fosse. Eu seria a Elizabeth de Piratas do Caribe e de Orgulho & Preconceito, a Cecília de Desejo & Reparacao, a Juliet de Simplesmente Amor, a Guinevere de Rei Artur... eu seria todas as mocinhas divertidas, admiráveis e dignas de amor.
Ainda estou debatendo estilos comigo mesma. Entao, que devo usar essa noite?
Resto do Post

Meu blog continua o mesmo, mas os meus cabelos...

Para quem passou da idade de brincar de Barbie e tem medo de fazer mudancas permanentes no próprio visual, o site da InStyle tem uma ferramenta super divertida de makeover. Eu já tinha brincado com várias do tipo em outros sites, mas essa foi a mais completa, realista e com mais opcoes.



Você pode utilizar sua própria foto e escolher o cabelo de diversas atrizes hollywoodianas ou até mesmo o look completo (maquiagem + cabelo). O site dá dicas de como criá-lo na vida real e indicacoes de cosméticos correspondentes às cores demonstradas.
Tentem adivinhar de quem é o cabelo antes de olhar na legenda embaixo ;)

A foto original:

As transformacoes:

Edicao personagem de mania da semana: Jennifer Aniston e Ashley Greene


Edicao ruivas: Jessica Biel e Kate Winslet

Edicao aleatória: Alicia Keys e Eva Longoria


Edicao caracóis: Scarlet Johansson e Kerry Washington


Edicao ídolo teen: Selena Gomez e Taylor Swift

Edicao Reese Whiterspoon: Reese e Reese


Edicao Yiin & Yang: Rebecca Romijn e Katy Perry


Edicao Gossip Girl: Taylor Momsen e Taylor Momsen


Edicao protagonista de série: Debra Messing e Blake Lively

Todo dia coloco uma foto dessas como meu perfil do Orkut, de acordo com meu humor ^^ "Hoje sou loira! Nao, hoje sou inteligente!" (brincadeirinha!) É divertido, mas nao recomendo se você costuma postar em comunidades. A brincadeira já fez com quem me acusassem de usar peruca, de ser perfil fake, desenho animado e daí para pior. xD

E é meio deprimente quando a gente fica melhor artificialmente do que de verdade... mas, quem sabe nao é uma inspiracao para finalmente dar aquela modificada radical no penteado? ^^

Mudando de assunto, expandi a postagem sobre Anne de Green Gables, incluindo agora uma breve explicacao sobre o livro e uns trechinhos traduzidos por mim. Vá no post original e clique em Saiba mais sobre Anne de Green Gables...

Piquenique à Jane Austen

No final de semana passado, a família resolveu aproveitar o raro dia quente e ensolarado para fazer um piquenique no jardim do castelo. Como eu acho que minha alma é vitoriana, resolvi seguir a moda anos 1800 e fui de vestidinho e chapéu :D

Piqueniques tinham um significado muito importante para os ingleses. Achei uma citacao de Andrew Hubbel, autor de How Wordsworth Invented Picnicking and Saved British Culture:
"Fazer piqueniques é nao só consumir comida em especial, mas também um ambiente específico escolhido de acordo com um padrao estético e uma forma especial de compartilhar comida de acordo com certos padroes de comportamento. Significa criar uma celebracao móvel e superar dificuldades e inconveniências, nao apenas para a preparacao e transporte, mas também para o consumo e a limpeza. Ainda assim, fazer piqueniques é a busca prazerosa de pessoas despreocupadas, de forma que a dificuldade de mover a festa tem suas recompensas. A recompensa é primariamente ideológica: ela permite ao participante compartilhar uma forma de se alimentar que cria relacionamentos entre pequenos grupos de pessoas, marcos naturais e ideais culturais. Esses relacionamentos formam uma conscientizacao da identidade nacional. Fazer piquenique, especialmente para os piqueniqueiros do início do século XIX, era, portanto, uma forma de praticar britanidade."

Entao, podemos concluir que estavamos praticando brasilidade :D

Seguem fotos abaixo!

(OK, esse nao era bem o estilo dos anos 1800, mas a intencao que vale)

Eu e Mimi bailando sob os raios de sol


Eu e meu castelo, ao fundo